sexta-feira, maio 08, 2015

 Hoje é dia 8 e faz dez meses que me pediste em namoro de joelhos, no teu antigo carro, onde partilhámos muitas das nossas memórias. Sinceramente, não foi isso que me conquistou. Talvez tenha sido a tua insistência, talvez tenha sido o teu jeito descontraído. Ou talvez até tenha sido a maneira como, mesmo sem saber, ias ficando mais um minuto, prolongado mais o meu sorriso, roubando-me a confiança, mostrando-me que também podia ser feliz. Não sei dizer-te como foi que tudo cresceu. 
  Eu tinha medo, tanto medo. Que fosses aperceber-te da confusão que a minha mente é, que fosses ver que quando estou nervosa falo pelos cotovelos, que sou insegura ao ponto de perder horas de sono, que viajo num próprio mundo, que às vezes vejo a solidão como o melhor remédio, que me calo quando não estou bem. Tinha medo que não tivesses a paciência - que hoje eu sei que tens e agradeço todos os dias por isso, por estares do meu lado, sempre disposto a dar-me mais um minuto do teu tempo e a ouvir-me no meu pequeno mundo rodeado de muralhas de espinhos para que ninguém me magoe. Eu sei que ao início essas muralhas te arrancaram pedaços de pele e ainda hoje te ferem o orgulho, mas ambos sabemos que sou capaz de beijar cada uma dessas feridas até toda a tua dor desaparecer. Tal e qual como fazes comigo. Tu que beijas cada uma das minhas sombras e demónios, atirando-os para debaixo da ponte e com o teu abraço me esmagas num calor tão ardente que envolve todo o meu tecido, num acto protector que eu mais desejo. Só contigo me sinto verdadeiramente protegida. 
  Hoje faz dez meses que te tenho comigo, não é que não tivesse antes, mas hoje faz tempo que partilho uma viagem nova. Uma aventura cheia de altos e baixos, cheia de curvas e marés difíceis, mas que também nos presenteia com brisas frescas e sabores doces, novas descobertas. Que me trouxe sentimentos novos, coisas inexplicáveis que nunca antes sentira. Não há ninguém que te queira como eu te quero e não há ninguém que sinta por ti o que eu sinto. Confio-te o meu pequeno mundo e a chave dele também, sei que possuis a espada que aniquila todos os pesadelos e estranhos seres que me consomem a mente. Confio-te a minha mão enquanto conduzes, quer o teu carro, quer a nossa vida. Confio-te o beijo pela manhã ou o apaixonado durante a noite. Confio-te a chama do que sou e o mais extraordinário é sentir o retorno. Gosto de ti como ninguém. Não consigo - nem por sombra de dúvidas - descrever o que temos. Deixo antes que os nossos olhares o digam quando as palavras faltam, ou que os lábios traduzam os mais belos silêncios que partilhamos. Como tu não há ninguém, nunca, meu bem.

Sem comentários:

Enviar um comentário