terça-feira, novembro 27, 2012

  A rua que percorria era tão longa. Não em comprimento, mas sim na distância que nos separava. Percorria-a na maior inquietação. A ansiedade cavalgante provocava em mim sensações novas, que nunca antes sentira. Percorria aquela rua sempre que ia em teu encontro. Por mais que caminhasse parecia não avançar o suficiente para te alcançar. O tempo passava e o fim da rua estava longe de chegar. Até que, dava conta de que a ansiedade me havia invadido. Dava mais uns passos e podia finalmente alcançar-te no meu olhar. E que sensação tão magnífica era aquela de te poder ver esperando-me com o maior sorriso esboçado na tua face. Uma mistura de bem-estar com pontinhas de vergonha atravessava-se em mim dando aquela tão conhecida sensação de ter "borboletas na barriga". Sem recorrer ao pensamento o meu passo tornava-se mais rápido começando por fim a acelerar na tua direcção, tomando-me por vencida e voando para os teus braços sempre dispostos a acolherem-me na sua maior ternura. Como se os teus braços que me envolviam formassem um escudo de calor e carinho. Podiam passar-se horas, os ponteiros do relógio perdiam a força ao ponto de pararem, o mundo petrificava e ficávamos só nós, naquela eternidade tão nossa que mais nada poderia separar a não ser a terrível hora de ir embora. A hora de tentar inúmeras vezes partir sem sucesso e voltar derrotada de novo para os teus braços como se não passássemos apenas de dois ímanes em pólos de atracção. Até, ao dia em que os nossos braços nunca mais se encontraram, os nossos sorrisos nunca mais se mostraram, as nossas mãos nunca mais se entrelaçaram, os nossos olhares nunca mais se cruzaram, a saudade e o vazio invadiram tudo o que restava dando lugar a lágrimas e eu, nunca mais voltei a percorrer aquela rua.

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